Em março deste ano, a Lei nº 15.355/2026 alterou a Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB) pra ampliar seus objetivos: além de garantir padrões de segurança nas diferentes fases de operação de uma barragem — incluindo desativação e descaracterização —, a lei passou a tratar explicitamente a prevenção e redução de acidentes e desastres que afetem vidas humanas, animais e o meio ambiente, e criou a exigência de elaborar e divulgar material informativo sobre busca, resgate e atendimento imediato a animais em situação de desastre.
É uma ampliação de escopo real, não só simbólica. Mas ela chegou no mesmo ano em que o Relatório de Segurança de Barragens 2026 (RSB 2026), publicado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), mostrou um contraste que vale a pena entender: o cadastro total de barragens no Brasil cresceu 6% em 2025 — de 28.085 para 29.761 estruturas —, enquanto o número de profissionais dedicados exclusivamente à fiscalização caiu 6% no mesmo período. É a primeira queda no efetivo de fiscalização desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019.
O relatório é ainda mais específico: 28 dos 33 órgãos que compõem o sistema da PNSB operam hoje abaixo do contingente mínimo recomendado de fiscais. Com dados de 2025, a ANA identificou 213 barragens prioritárias espalhadas por 19 estados — estruturas com problemas de conservação ou cujos responsáveis não cumpriram integralmente as exigências de segurança da política nacional. E dentro do universo de barragens sujeitas à PNSB, 1.808 estão classificadas simultaneamente com categoria de risco alta e dano potencial associado médio ou alto — ou seja, se algo falhar, a consequência tende a ser séria.
Na prática, isso inverte uma expectativa comum. Muita gente que tem uma barragem ou açude — inclusive estruturas menores, rurais, sem o porte das grandes barragens de mineração que ficaram conhecidas depois de Brumadinho e Mariana — parte do pressuposto de que "se tivesse algum problema, o órgão fiscalizador ia identificar". O relatório de 2026 mostra o oposto: o número de estruturas cadastradas está crescendo mais rápido do que a capacidade de fiscalização, e a lei nova, ao ampliar formalmente o que a PNSB precisa proteger, não veio acompanhada de mais gente pra fiscalizar isso.
O resultado prático é que a responsabilidade por identificar um problema cedo — erosão no talude, ponto de infiltração, alteração na vegetação que indica saturação do solo, avanço de assoreamento no reservatório — recai cada vez mais sobre quem é dono ou responsável pela estrutura, e cada vez menos sobre uma visita periódica do órgão público. Isso não é alarmismo: é literalmente o que os números do próprio relatório oficial mostram.
É exatamente aí que entra monitoramento técnico independente. Um voo de drone periódico sobre o corpo da barragem e a área do reservatório documenta erosão, infiltração e mudança de vegetação muito antes de virar um problema visível a olho nu — e gera um registro datado que serve tanto pra decisão técnica quanto, se um dia for preciso, pra mostrar que a estrutura vem sendo acompanhada. Se você tem uma barragem ou açude sob sua responsabilidade e quer entender como funciona esse acompanhamento, chama a gente no WhatsApp.